Se tem uma coisa que aprendi sobre mim, é que sou uma metamorfose ambulante.

Na adolescência, eu simplesmente odiava roxo. Era uma daquelas cores que eu dizia, com toda a certeza do mundo, que nunca faria parte da minha vida.

Só que a gente muda.

Sem perceber, comecei a olhar para o roxo de um jeito diferente. Aos poucos, fui gostando da cor, comprando coisas roxas e, quando vi, ela já fazia parte do meu dia a dia.

Quando chegou a hora de criar a identidade visual da Zuanon, confesso que resisti um pouco. Eu pensava: "Será mesmo que vou escolher justamente a cor que eu passei anos dizendo que não gostava?"

Mas nenhuma outra cor fazia tanto sentido.

Não porque exista um significado universal para o roxo, mas porque ele ganhou um significado para mim.

Quando olho para essa cor, penso no universo, na aurora boreal, no lúdico e na sensação de que sempre existe espaço para criar algo novo. É uma cor que me transmite leveza, curiosidade e liberdade. Talvez seja por isso que ela tenha encontrado um lugar tão especial na Zuanon.

Isso não significa que a marca esteja presa ao roxo.

Desde o começo, o logo foi criado para ser versátil. Ele pode aparecer em diferentes cores, dependendo da coleção, do projeto ou da proposta de cada criação. Eu nunca quis limitar a criatividade da marca a uma única paleta.

Mesmo assim, o roxo acabou se tornando a nossa assinatura. É a cor que as pessoas mais associam à Zuanon e, de certa forma, também representa uma parte da minha própria história.

Hoje eu olho para trás e acho engraçado lembrar que um dia eu dizia odiar essa cor.

A vida tem dessas ironias bonitas.

Às vezes, aquilo que a gente rejeita acaba encontrando um espaço inesperado na nossa vida. E foi exatamente isso que aconteceu comigo.

No fim das contas, o roxo não foi uma escolha feita por tendência ou estratégia de marketing. Ele simplesmente aconteceu. E, quando aconteceu, eu entendi que já não conseguia imaginar a Zuanon com outra cor.